quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Colapso em Canarana: Servidores em greve acampam na porta da Prefeitura

Daniel Pinto

Desde a semana passada, servidores da Educação, Saúde e Limpeza Pública do município de Canarana, norte do estado, paralisaram as atividades e acamparam em frente à Prefeitura, no Centro da cidade. Os funcionários cobram o pagamento de salários atrasados, melhores condições de trabalho e transparência da gestão municipal com os gastos públicos. De acordo com Dina Paula, técnica em Enfermagem lotada no Hospital Municipal, até o meio-dia desta quarta-feira (27), os servidores estavam com vencimentos de julho em atraso e sem perspectiva de receber pagamento referente ao mês de agosto. “O sindicato realizou várias reuniões com os representantes da Prefeitura, mas eles nunca cumprem as promessas. Perdemos a confiança na gestão”, desabafa. Em conversa com a reportagem do Sertão Baiano, Arlete Seixas, servidora da Saúde há 26 anos, relatou o seu drama particular. “Estou com contas atrasadas e passando dificuldades. E o pior é que as contas não param de chegar. Quem vai arcar com esses juros?”, questiona.

A crise na Saúde em Canarana ficou ainda mais crítica com a adesão dos servidores dos dois Postos de Saúde que atendem os moradores da sede. Além disso, segundo relatos de testemunhas, o clima ficou mais tenso após ameaças de advertências e demissão de trabalhadores, além do uso da força para desocupar a entrada da Prefeitura. “Mandaram recado dizendo que iriam cortar ponto e até mesmo nos transferir para a zona rural, caso não desistíssemos do movimento. Também chegaram boatos de que a Polícia iria nos tirar daqui, como se fôssemos marginais”, afirmou Selson Ricardo, técnico em Enfermagem.

Falência total da gestão

Segundo o vereador Marcelo Inocêncio (PT), a situação “calamitosa” se repete na área da Educação: desde a última terça-feira (19), as 19 escolas e creches do município estão de portas fechadas ou funcionando de forma precária. “Os salários estão atrasados, existem problemas com o transporte escolar, as unidades estão em péssimo estado de conservação e ninguém toma providências”. O argumento é endossado pelo vereador Ademilton Barbosa (PT), que também pertence ao mesmo partido do prefeito Reinan Oliveira. “O que falta é gestão! Infelizmente, a Administração Municipal perdeu o rumo. A Prefeitura é como uma empresa, que pode quebrar se não houver uma boa gestão. E, neste caso, estamos falando em falência total”.

Durante bate-papo com a reportagem do Sertão Baiano, o professor Lindobergue Bastos dos Santos, representante da APLB-Sindicato, admite que está com salário em dias, mas que a categoria docente permanece fora das salas em solidariedade aos demais trabalhadores em Educação. “Decidimos, em assembleia geral, que só voltaremos depois que a situação de todos os servidores for resolvida. O professor é apenas uma peça desta estrutura. Sem funcionários de apoio, não há condições de ter aula. Esse problema afeta a Educação de forma direta. Os maiores prejudicados, sem dúvida, são os alunos”, observou. 

Na avaliação do vereador Filinto Saraiva (PT), o colapso gerencial em Canarana só será resolvido após a instalação de uma CPI na Câmara Municipal: “temos cinco assinaturas e precisamos de apenas mais uma para dar entrada no requerimento. Acreditamos que, graças à pressão popular, alcançaremos essa meta no início de setembro. Temos que quebrar o sigilo e saber se há corrupção e improbidade administrativa, já que o que está em jogo são verbas carimbadas. Pessoalmente acredito que já há elementos suficientes para pedir o impeachment do prefeito”.

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